Olha o que já passou por aqui!

postado por Cinthya Rachel às 19:14
29
out


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A vida vai passando assim sem a gente perceber, aí quando vejo já tem semanas que não escrevo no blog. Viver em um outro país é muito louco, pois você acha que já está adaptado e aí do nada vem um cheiro, um gosto, uma falta de alguma coisa, mas você segue, porque tem cheiros e gostos novos por aqui.

Um dia acordei, vi uma reportagem de uma menina que tinha 500 plantas em um ap no Brooklin e eu: é isso! Caramba, eu gosto de plantas, sempre gostei, quando foi que coloquei isso numa caixinha dentro de mim e guardei? Saí e voltei carregada de verdinho. Vocês sentem que tem partes de vocês que guardam por um tempo e nem sabem por quê?

Será que fiz isso com mais alguma coisa? Certeza. Bem, já já resgato essa coisa e volto a experimentar. Acho que às vezes falta isso na vida: provar. Gosto disso? E isso, é legal? Mas e se eu fizer diferente? E se eu mudar o caminho?

Vamos experimentar…





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postado por Cinthya Rachel às 9:47
27
set

Eu nunca comprei uma goiaba na vida. Nunca. Tinha uma goiabeira na casa da minha vó, e lembro de usufruir da fruta bem doce até os meus 19, algo assim. Eram aquelas goiabas feias porém deliciosos, e tirando os traumas dos 5 bilhões de lesminhas que eu devo ter achado e das bicadas dos passarinhos nas frutas, foi uma relação feliz. Mas nunca gostei particularmente de goiaba, comia mais porque estava ali. Nunca me interessei em comprar na feira, no mercado, no sacolão. Goiabada também nunca foi dos meus doces favoritos. Vai lá, um pedacinho de vez em nunca com queijo era bom, daquela cascão. Ou o biscoitinho com ela dentro, que aprendi a fazer quando era criança.

Daí que vim morar em Buenos Aires e as frutas tropicais não se animam de amadurecer por aqui. Elas até existem, mas não tem gosto, não tem doce, não tem amor. Não vamos falar do preço… O mamão é branco e sem graça, a manga fica macia mas não fica doce e o maracujá custa um rim.

Aí que meu marido me aparece em casa com mais de um quilo de GOIABA. Onde ele achou goiaba em Buenos Aires? Não sei. Melhor não perguntar. Mas fiquei feliz, feliz. Elas estavam muito perfumadas, voltei à infância em 2 segundos. Já macias ao toque nem me assustei quando abri e elas estavam azedinhas, a vida em terra portenha é dura para as frutas da minha infância. Não pensei duas vezes, piquei tudo, bati a polpa, coei as sementes, taquei açúcar, meti na panela de ferro e tá rolando uma goiabada aqui. Aposto que os vizinhos estão assustados tentando entender que cheiro é esse.

Isso é cheiro da casa de mi abuela, vecinos!

E eu nem gosto de goiaba…





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postado por Cinthya Rachel às 11:24
22
ago

Comprei um sutiã de renda. Simples. Um triângulo. Não tem pushup, não tem bojo, não tem enchimento, não junta os peitos, não deixa eles maiores, nem mais redondos.

É só um sutiã, como fazia muito que eu não usava.

Faz quanto tempo que a gente parou de ser um pouco a gente? Faz quanto tempo que a gente se acostumou a sempre ter uma camadinha cobrindo?

Outro diz esqueci de passar corretivo e foi muuuuito estranho. Me olhei no espelho e me achei cansada, com olheira. Parecia que faltava alguma coisa.

Aí no outro dia esqueci de propósito, pra ver o que ia acontecer. Um dia, dois, três. E não é que comecei a me achar normal, no melhor sentido da palavra? Era ok sair sem maquiagem, era ok eu ter olheiras, achei bom, achei leve.

Ainda continuo achando legal passar corretivo, máscara e tals, não se enganem. É divertido. Ainda acho lindos meus sutiãs com bojo, com aro e etcéteras.

O que foi bom mesmo foi entender esse poder da escolha, esse poder de ser como eu quiser, de que está tudo bem deixar o peitinho livre, como ele é.





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postado por Cinthya Rachel às 16:08
24
jun

As redes sociais são um pequeno recorte da nossa vida. Um prato bonito que a gente comeu, uma viagem legal, uma foto na academia, aquela frase motivacional, uma gracinha do filho, declarações, xingamentos. É tudo surreal. É uma pequena parte do que a gente vive, e se a gente para pra olhar a vida dos outros dá pra ficar deprimido fácil. Parece que todo mundo tem o melhor namorado do mundo, o melhor trabalho #ilovemyjob, faz as viagens mais incríveis e tem as maquiagens mais caras.

Claro, também tem a parte do #foradilma #foratemer tudo é horrível, tudo é mimimi, me vejam aqui no hospital, ai estou cansada, demorei 5639 horas pra chegar no trabalho. Mas também é um recorte, só que esse feito com navalha: minha vida é uma sofrência.

E dentro desses recortes todos vem uma cobertura de mentira. CANSEI de ver gente postando: amo a minha mãe, a melhor mãe do mundo, ela é incrível, sou o que sou por causa dela, e na verdade essa pessoa tem sérios problemas com a mãe, de ter um relacionamento abusivo com a mesma. Mas mesmo assim se sente impelida (obrigada?) a fazer a lambeção do eterno amor incondicional para todos verem.

Por que?

É a esse recorte que eu vou. Qual a necessidade de fingir algo que não é? Se você e sua mãe não se dão bem, beleza, não precisa ficar postando o contrário. Se seu marido faz coisas babacas e você está chateada com ele, pra que postar que ele é perfeito 100% do tempo?

Eu acho que a gente vê tanta lindeza nas redes dos outros, tanta grama tão verdinha, que PRECISA fazer parte disso, dessa onda, pra ser parte do grupinho. Meio 15 anos, quando a gente estava na escola e usava o mesmo tênis, o mesmo batom e  escutava a mesma música. Acho que a gente não percebeu que cresceu e que a vida é mais legal se vier inteira e não em mini fotinhos coloridas com um filtro bonito.





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