Olha o que já passou por aqui!

postado por Cinthya Rachel às 19:41
05
dez

captura-de-tela-2016-12-05-as-18-38-20

Tenho um pouco de invejinha de quem tem paixões, sei lá, a pessoa descobre um amor doido pela flauta doce, faz curso, estuda, participa da imersão de flauta doce na serra do Capivari, tira fotos com sua coleção de flautas, dá nome pras flautas, vai em show dos mestres da flauta, fica amiga dos mestres da flauta, transforma o seu insta em uma ode às flautas doces (bem melhor que as outras flautas existentes no mundo), se especializa em flautas, casa com um tocador de flauta, e vai ser feliz.

Não sei se tenho essa paixão. Sim, tenho minhas obsessões esporádicas, sou meio a maníaca da culinária, por exemplo, e até tenho algumas fotos disso no insta. Mas não consigo me entregar assim. Sempre aparece uma ou outra paixão bandida pra puxar meu pé a noite enquanto eu durmo, como um fantasma.

Jardinagem é tão interessante. Ginecologia natural também. Um curso de meditação não ia ser ruim. Já que estamos, que tal começar yoga? Vi uma oficina de panificação que acho que vai ser legal. Sempre quis fazer pintura em cerâmica. E aula de bioenergética é incrível, saio super relaxada. Comida vegetariana. Churrasco também, claro.

E sigo assim, uma paixãozinha aqui, um lance, outra paixãozona lá, um amorzinho, um flerte, um romance, uma ficada, selinho, beijo de língua…

 




Nas categorias: eu e mim mesma mini contos


postado por Cinthya Rachel às 19:14
29
out


captura-de-tela-2016-10-29-as-18-12-35

 

A vida vai passando assim sem a gente perceber, aí quando vejo já tem semanas que não escrevo no blog. Viver em um outro país é muito louco, pois você acha que já está adaptado e aí do nada vem um cheiro, um gosto, uma falta de alguma coisa, mas você segue, porque tem cheiros e gostos novos por aqui.

Um dia acordei, vi uma reportagem de uma menina que tinha 500 plantas em um ap no Brooklin e eu: é isso! Caramba, eu gosto de plantas, sempre gostei, quando foi que coloquei isso numa caixinha dentro de mim e guardei? Saí e voltei carregada de verdinho. Vocês sentem que tem partes de vocês que guardam por um tempo e nem sabem por quê?

Será que fiz isso com mais alguma coisa? Certeza. Bem, já já resgato essa coisa e volto a experimentar. Acho que às vezes falta isso na vida: provar. Gosto disso? E isso, é legal? Mas e se eu fizer diferente? E se eu mudar o caminho?

Vamos experimentar…






postado por Cinthya Rachel às 9:47
27
set

Eu nunca comprei uma goiaba na vida. Nunca. Tinha uma goiabeira na casa da minha vó, e lembro de usufruir da fruta bem doce até os meus 19, algo assim. Eram aquelas goiabas feias porém deliciosos, e tirando os traumas dos 5 bilhões de lesminhas que eu devo ter achado e das bicadas dos passarinhos nas frutas, foi uma relação feliz. Mas nunca gostei particularmente de goiaba, comia mais porque estava ali. Nunca me interessei em comprar na feira, no mercado, no sacolão. Goiabada também nunca foi dos meus doces favoritos. Vai lá, um pedacinho de vez em nunca com queijo era bom, daquela cascão. Ou o biscoitinho com ela dentro, que aprendi a fazer quando era criança.

Daí que vim morar em Buenos Aires e as frutas tropicais não se animam de amadurecer por aqui. Elas até existem, mas não tem gosto, não tem doce, não tem amor. Não vamos falar do preço… O mamão é branco e sem graça, a manga fica macia mas não fica doce e o maracujá custa um rim.

Aí que meu marido me aparece em casa com mais de um quilo de GOIABA. Onde ele achou goiaba em Buenos Aires? Não sei. Melhor não perguntar. Mas fiquei feliz, feliz. Elas estavam muito perfumadas, voltei à infância em 2 segundos. Já macias ao toque nem me assustei quando abri e elas estavam azedinhas, a vida em terra portenha é dura para as frutas da minha infância. Não pensei duas vezes, piquei tudo, bati a polpa, coei as sementes, taquei açúcar, meti na panela de ferro e tá rolando uma goiabada aqui. Aposto que os vizinhos estão assustados tentando entender que cheiro é esse.

Isso é cheiro da casa de mi abuela, vecinos!

E eu nem gosto de goiaba…






postado por Cinthya Rachel às 11:24
22
ago

Comprei um sutiã de renda. Simples. Um triângulo. Não tem pushup, não tem bojo, não tem enchimento, não junta os peitos, não deixa eles maiores, nem mais redondos.

É só um sutiã, como fazia muito que eu não usava.

Faz quanto tempo que a gente parou de ser um pouco a gente? Faz quanto tempo que a gente se acostumou a sempre ter uma camadinha cobrindo?

Outro diz esqueci de passar corretivo e foi muuuuito estranho. Me olhei no espelho e me achei cansada, com olheira. Parecia que faltava alguma coisa.

Aí no outro dia esqueci de propósito, pra ver o que ia acontecer. Um dia, dois, três. E não é que comecei a me achar normal, no melhor sentido da palavra? Era ok sair sem maquiagem, era ok eu ter olheiras, achei bom, achei leve.

Ainda continuo achando legal passar corretivo, máscara e tals, não se enganem. É divertido. Ainda acho lindos meus sutiãs com bojo, com aro e etcéteras.

O que foi bom mesmo foi entender esse poder da escolha, esse poder de ser como eu quiser, de que está tudo bem deixar o peitinho livre, como ele é.