Olha o que já passou por aqui!

postado por Cinthya Rachel às 8:00
07
jan

Meu filho, o que você quer ser quando crescer?
Escritor de rótulo de vinho!

Já imaginou que maravilha, que profissão com laivos de ácido lisérgico?

A vida nunca mais seria sem graça. Nunca mais pão pão queijo queijo.

Que libertador. Chega de vida de mentira, com seus tons de cinza e grafite, sim à vida de verdade, ao arco-íris, e ao cor de rosa e grená.

Chega de rock pauleira, eu querio eflúvios de serenata ao pé do ouvido.

Não mais ervas daninhas, viva às tulipas florescendo em meio as avenidas.

Veja o fim das músicas sem rima e sem história, que venha Chico e Elis.

Eu quero a vida de verdade, quero viver num eterno comercial de margarina, onde no café da manhã tem bolo de chocolate que não engorda, pão com margarina derretendo, sol eterno e bom humor matinal, e onde ninguém precisa lavar a louça no fim.

Nada de comer ovo frito. Muito melhor degustar uma bela almofadinha de sabor, com bordas caramelo se estendendo rumo ao infinito, e ao centro notas de ouro derretido.

O dia nunca estaria com sol e algumas nuvens. O dia estaria com aroma das ninfas douradas do vale do Loire, e pequenas fadas cintilantes que por vezes encobrem o astro rei com suas saias de renda transparente.

Oh, cor escarlate com ressonâncias de lilás ao fundo, e consistência de terra molhada onde foi plantada a orquídea que enfeita o casa no comercial de margarina.

Ah, doces aromas de frutas vermelhas com um persistente paladar de pêssegos colhidos pelas virgens do Himalaia no alvorecer do quinto dia de primavera.

Quando eu crescer quero ser feliz: vou escrever rótulos de vinho!






postado por Cinthya Rachel às 14:48
14
ago

Você já leu livro de auto ajuda? Livro espírita? Livro com mensagens que tocam o coração? Livros de incentivo? Bom, eu já li de tudo um pouco na minha vida. E esses dias eu estava relendo um livro de Terapia de Vidas Passadas de um médico americano. O livro não é dos piores (aqui deveria entrar o nome do livro mas a relapsa não faz a menor idéia de onde colocou!!), mas ele incorre em um problema que encontro em muitos livros desse tipo: conselhos opostos.
Explico. Em uma parte do livro o autor que não sei o nome conta a história de alguém meio pessimista que dizia que nada dava certo na vida, que não arranjava trabalho, não conseguia namorar ninguém por mais de 1 mês e etc. O conselho que o autor que eu não sei o nome deu (ou recebeu dos guias espirituais) foi: Você tem que correr atrás, não pode ficar parado esperando que a oportunidade bata a sua porta, blá blá blá. Enfim, a pessoa “correu atrás” e tudo melhorou na vida dela.
Numa outra parte do livro uma outra pessoa disse que passava por problemas bem semelhantes aos descritos acima, procurava emprego que nem uma louca e nada acontecia, era obesa, não tinha namorado. O conselho dessa vez foi o mesmo querido leitor?
NÃO!!!!!!!!!!!! Dessa vez a mensagem foi: relaxa minha filha, dá um tempo, vai viajar, ficar fora. E a mulher passou uma temporada no interior, na casa de uma irmã. Lá ela arranjou emprego, emagreceu, começou a namorar… A história acabou bem para os dois, masssssssssssssssss…..
Alguém por favor me diga: qdo é para eu correr atrás e qdo é para eu relaxar!?!?!?!?!?!?!?!?!??!?!?!
Postado originalmente no dia 14/04/2007





postado por Cinthya Rachel às 17:48
21
jul

Aprendi a fazer tricô sozinha. Quer dizer, minha vó me ensinou um ponto básico e só. Depois de anos quando fui pegar na agulha eu percebi que eu não sabia como começava, terminava, como virava, mas não sei como, dei um jeito e consegui fazer meu primeiro cachecol. E hoje com a ajuda da internet tenho tentado me especializar.

Agora o crochê. Eu e essa agulhazinha não nos entendemos. Olhei em vários sites, vejo os pontos básicos e nada. Mas eu tenho a convicção de que se eu segurar um objeto muito tempo eu vou aprender como se faz. Eu tenho a convicção de que se eu segurar a agulha e linha toda noite de um jeito ou de outro eu vou conseguir aprender por osmose, através da memoria coletiva da agulha, que eu acredito piamente que ela tenha trazido da fábrica onde ela foi feita, ou nos meus pensamentos de Alice, no país em que ela nasceu rodeada de pequenos dedais e lãs fofinhas.

E eu tenho feito isso toda noite. Me recosto na cama, me cubro, pego a agulha e a lã, e por alguns segundos nos divertimos e parece que tudo vai dar certo. Mas depois de um tempo a agulha começa a rir da minha cara e tudo se perde.

E hoje o milagre se deu. Ohhhhhhhhhhhh, as portas do céu se abriram e eu fiz o meu primeiro ponto! Tá certo que tá torto, mas é meu e eu aprendi sozinha. Ok, ok, andei fuçando em vários sites mas mesmo assim eu não conseguia. E de repente….

Viva a osmose!

(publicado originalmente no dia 22/06/07)