Olha o que já passou por aqui!

postado por Cinthya Rachel às 9:47
27
set

Eu nunca comprei uma goiaba na vida. Nunca. Tinha uma goiabeira na casa da minha vó, e lembro de usufruir da fruta bem doce até os meus 19, algo assim. Eram aquelas goiabas feias porém deliciosos, e tirando os traumas dos 5 bilhões de lesminhas que eu devo ter achado e das bicadas dos passarinhos nas frutas, foi uma relação feliz. Mas nunca gostei particularmente de goiaba, comia mais porque estava ali. Nunca me interessei em comprar na feira, no mercado, no sacolão. Goiabada também nunca foi dos meus doces favoritos. Vai lá, um pedacinho de vez em nunca com queijo era bom, daquela cascão. Ou o biscoitinho com ela dentro, que aprendi a fazer quando era criança.

Daí que vim morar em Buenos Aires e as frutas tropicais não se animam de amadurecer por aqui. Elas até existem, mas não tem gosto, não tem doce, não tem amor. Não vamos falar do preço… O mamão é branco e sem graça, a manga fica macia mas não fica doce e o maracujá custa um rim.

Aí que meu marido me aparece em casa com mais de um quilo de GOIABA. Onde ele achou goiaba em Buenos Aires? Não sei. Melhor não perguntar. Mas fiquei feliz, feliz. Elas estavam muito perfumadas, voltei à infância em 2 segundos. Já macias ao toque nem me assustei quando abri e elas estavam azedinhas, a vida em terra portenha é dura para as frutas da minha infância. Não pensei duas vezes, piquei tudo, bati a polpa, coei as sementes, taquei açúcar, meti na panela de ferro e tá rolando uma goiabada aqui. Aposto que os vizinhos estão assustados tentando entender que cheiro é esse.

Isso é cheiro da casa de mi abuela, vecinos!

E eu nem gosto de goiaba…





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postado por Cinthya Rachel às 15:48
16
set

Me desculpa o incômodo, mas precisamos falar do meu marido. Não, não precisamos, mas eu vou. Nos conhecemos no tinder. Ele disse que não queria nada sério. Eu também. Nos víamos todos os fins de semana. Mas não queríamos nada sério. Cozinhávamos juntos, mas nada sério. Ele me ensinou uns palavrões em espanhol. Ele já sabia os palavrões em português. Mas ensinei pra ele que a comida pode ter mais do que apenas um tempero, aqui é Brasil porra, aqui tem alho, aqui tem cominho, aqui tem coentro. Ele me levou em um restaurante lindo no meu aniversário, me comprou flores, escreveu um bilhete, mas a gente não namorava.

Ele me acordava cantando tango e Zeca Pagodinho. Eu acordava de mau humor (mentira, mas ficou boa essa frase no texto). Eu mostrei as maravilhas da carne seca. Também fiz feijoada. E ele empanada. Nosso “não relacionamento” era baseado em comida. E em vinho.

Ele me mostrou coisas de SP que eu não conhecia. Mas eu que levei ele pra comer o sanduba de pernil do estadão e disse- che, boludo, que buena onda, flaco. Mentira de novo, eu não falava uma palavra em espanhol e devo ter escrito tudo errado.
Ele me ajudou a planejar uma viagem que eu ia fazer sozinha, aí ele acabou entrando no meio e virou uma viagem de dois.

Um dia quando a gente almoçava, sim, comemos e cozinhamos muito, ele deixou escapar um “porque desde que a gente namora…”. E eu como não lembrava de ter sido pedida em namoro resolvi esclarecer os fatos, pois eu não queria nada sério, ele não queria nada sério, então ele me pediu em namoro e seguimos com nosso relacionamento engraçado.




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