postado por Cinthya Rachel às 10:01
18
nov

Eu ainda preciso assimilar toda a viagem que fiz pra escrever um texto decente para vocês, mas agora quero falar só um tiquinho. Foram 9 dias no Pará, 2 só dentro de um barco de linha, de Santarém até Belém, pelo Rio Amazonas. Dormi na rede, no meio do barco, junto com os moradores da região, gente que tem o rio como estrada. Além de mim e do namorado, só tinham mais 3 turistas, todos estrangeiros.

Foi uma das experiências mais loucas que já vivi.

Ver o barco ser abordado por embarcações pequenas no meio do NADA pra pegar passageiro, e em uma das vezes ver um bebê, que foi seguido pela mãe e pela vó, sendo passado do nosso barco para as mãos de um senhor que estava em pé, dentro do barquinho em velocidade para nos acompanhar, com as águas mexendo, o dia caindo, e todos os envolvidos fazendo aquela operação com a mesma tranquilidade com que a gente pega um ônibus, e saindo a toda a velocidade no escuro, pra algum ponto dentro de um braço do rio, um lugar que não era visível de onde a gente estava, com uma tempestade chegando, aquilo fez meu coração pular uma batida e sem querer prendi a respiração por uns segundos.

Pra onde eles foram? Onde eles moram? O que eles fazem? Como eles vivem? Como será a vida desse bebê? Qual o sonho dessa mãe?

Entrei no barco com os dois pés no chão. Saí dele com eles ancorados, plantados, amarrados e preparados para me equilibrar quando o rio estiver mexido.




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