postado por Cinthya Rachel às 13:49
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Sempre quis namorar um escritor angustiado. Nos conheceríamos numa festa obscura intelectual, alguém me apresentaria a ele com a recomendação de não me aproximar demais. Impossível, pega no primeiro sorriso.

Em semanas estaríamos morando juntos, como se fossemos um, não saberíamos dizer onde começava o eu e onde terminava o ele. Completaríamos as sentenças um do outro e riríamos num meio de um jantar formal, deixando todos na mesa constrangidos e com uma pontada de inveja.

Você não me apresentaria como namorada, mulher, amante, apenas como sua. Essa é a minha, apenas minha. Aquela que seguraria tua mão nos grandes gritos em silêncio diante da página em branco, nos momentos em que da sua mente não sairia nada, e teus dedos não trabalhariam.

E amiúde eu acordaria sem os lençóis me cobrindo, mas com um poema nos seios, uma crônica na coxa esquerda, e um capítulo final me escorrendo pelas pernas.




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