postado por Cinthya Rachel às 12:34
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Sempre quis namorar um poeta incompreendido. Aquele de roupa larga, com cabelos desalinhados e sorriso matador.E como todo poeta incompreendido ele não teria dinheiro, mas mesmo assim moraríamos em Paris, pois é lá que esse tipo de poeta mora. Seria um sótão aberto, claro, com pequenas janelas pontilhando o teto.

Eu chegaria do trabalho e ele estaria rodeado de papéis e daria um sorriso quando me visse: escrevi pensando em você. E me leria lindos poemas confusos sobre meus lábios, sobre como o vento embaraça meus cabelos. E me abraçaria enquanto eu faria o nosso jantar.

Ele seria intenso, eu seria intensa. Ele não me deixaria respirar com tantos beijos, nossos jantares seriam interrompidos pois ele não aguentaria mais um minuto sem arrancar a minha roupa.

As brigas seriam semanais, depois diárias, por motivos ínfimos, e tudo acabaria em boca, poema, portas batendo, e ele sempre voltando, pois é impossível para um poeta viver sem sua musa.

Nossa relação não teria futuro, um dia chegando no nosso apartamento eu encontraria os armários abertos, suas roupas já não mais ali, e um bilhete com sua poesia final. Eu leria com lágrimas nos olhos e um sorriso nos lábios, sabendo que não lembraria nem por um segundo das brigas, apenas da sua barba quase me machucando enquanto ele me beijava a nuca e puxava meus cabelos.




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