postado por Cinthya Rachel às 10:45
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out

Estou eu na linha amarela do metrô. Entra uma menina, comum. Ela senta num banco próximo ao meu e coloca a sua enorme bolsa rosa no colo. Começa a vasculhar, e entre papéis, livros, casaco, ela acha o celular.

O trem para na próxima estação, e enquanto ela se prepara para discar entra um rapaz. Também comum. Ele caminha com passos certeiros em direção a ela. Quando ela levanta a cabeça os olhos brilham. Deixou de ser comum. Deixou de ser apenas mais uma menina.

Ela diz que estava ligando pra ele. Os olhos dele também brilham, se beijam, conversam, se tocam. Ele fica em pé. Tira a mochila que está nas costas e eu penso: ele vai dar a mochila pra ela segurar. Dito e feito, tirou a mochila e colocou no colo dela, mas ele para para fazer mais um carinho no rosto.

Com muita calma ele abre a pequena mochila que está quase vazia e tenta colocar a bolsa dela, enorme. Impossível, eu penso. Ele resoluto, concentrado, empurra, amassa, tira de novo, coloca de novo. Não reclama nem por um segundo, não se irrita, apenas prossegue.

As mãos dela também ajudam, parece que não é a primeira vez que fazem isso. Depois de uma pequena luta inglória, finalmente a bolsa da menina, que não é mais comum, está na mochila do rapaz, que também não é mais comum.

Ele, com um rosto muito calmo, com cara de missão cumprida, coloca a mochila novamente nas costas. Se tocam com suavidade. Ela sorri.

E aquilo tudo é tão bonito, tão certo, tão simples.

O trem para novamente, é a estação deles. Ela levanta, ele a espera e vão levando junto aquele amor. Eu discretamente enxugo uma lágrima.