postado por Cinthya Rachel às 16:18
28
ago

Anos 20. Uma porta escondida numa estreita rua de Paris. Um cabaré obscuro, aconchegante até quase ser opressivo. Pesadas cortinas de veludo cor de vinho ocupam todas as paredes. Cada canto está preenchido, são vasos, são flores, cristais, enfeites, paredes desenhadas. Numa sala individual está a estrela maior da casa. Pele branca, cabelos escuros curtos e anelados, uma faixa de cetim na testa. A boca bem desenhada, pintada de carmim. Ela dança sedutoramente para o homem na sua frente. Seus movimentos são lentos, longos, como um gato. Ela se abaixa ao ritmo da música, e em nenhum momento desvia os olhos do seu admirador. Vai tirando as poucas peças com calma e determinação, sem hesitar. Começa por cima, deixando o colo e os seios livres e abertos ao mundo. O homem se remexe na cadeira, entre a ansiedade e o desconforto. Ela passa os dedos pelo ventre, quase sem tocar a própria pele, provocando arrepios pelo corpo. O lugar é abafado e mal se ouve a pá do ventilador. Aos poucos as mãos alcançam a peça mínima que ainda a cobre. Ela prolonga esse momento o máximo possível. O homem não aguenta e despeja no palco todas as flores que ele lhe trouxe. Ela tira a peça num só movimento enquanto aspira o perfume que vem do presente. Que perfume é esse? Jardin des Roses, floral, quente, misterioso.




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