Olha o que já passou por aqui!

postado por Cinthya Rachel às 11:24
22
ago

Comprei um sutiã de renda. Simples. Um triângulo. Não tem pushup, não tem bojo, não tem enchimento, não junta os peitos, não deixa eles maiores, nem mais redondos.

É só um sutiã, como fazia muito que eu não usava.

Faz quanto tempo que a gente parou de ser um pouco a gente? Faz quanto tempo que a gente se acostumou a sempre ter uma camadinha cobrindo?

Outro diz esqueci de passar corretivo e foi muuuuito estranho. Me olhei no espelho e me achei cansada, com olheira. Parecia que faltava alguma coisa.

Aí no outro dia esqueci de propósito, pra ver o que ia acontecer. Um dia, dois, três. E não é que comecei a me achar normal, no melhor sentido da palavra? Era ok sair sem maquiagem, era ok eu ter olheiras, achei bom, achei leve.

Ainda continuo achando legal passar corretivo, máscara e tals, não se enganem. É divertido. Ainda acho lindos meus sutiãs com bojo, com aro e etcéteras.

O que foi bom mesmo foi entender esse poder da escolha, esse poder de ser como eu quiser, de que está tudo bem deixar o peitinho livre, como ele é.





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postado por Cinthya Rachel às 18:28
19
ago

Se puder faça terapia. É bom saber o que anda acontecendo aí dentro, é bacana descobrir que somos formados por mil pedacinhos do que passamos. Saiba que é maravilhoso passar um pano com sabão nesses pedaços.

Se puder cozinhe em casa. Evite comprar comida industrializada ou que tenha ingredientes impronunciáveis. Se der aprenda a fazer três, quatro pratos bem feitos, do começo ao fim. Comer comida caseira feita por você é quase um autoabraço.

Se puder encontre alguma atividade que você goste e pratique sempre que tiver vontade. Ler, fazer tricô, pilates, pintar. É bom ter esse momento pra você.

Se puder se dê um gosto. Coma aquele bolo que adora, faça aquela viagem bate e volta, vá ao massagista.

Se puder estude ou faça um curso que não tenha nada a ver com a sua profissão. É médico? Que tal jardinagem? É jornalista? Por que não reflexologia?

Se puder separe uns minutos para não fazer nada com o seu amor, só ficar deitados, nariz com nariz, sem pressa.

Se puder medite, nem que seja por um minuto. Pés no chão, olhos fechados, respire fundo, sempre que um pensamento aparecer na sua mente não brigue com ele, apenas volte a sua atenção para a respiração.

Se puder abrace alguém que você gosta todos os dias, acalma o coração.

Se puder corte pessoas tóxicas da sua vida, se não puder apenas sorria pra elas.

Se puder não deixe de tomar café da manhã, faz diferença na sua saúde.

Se puder tome uma tacinha de vinho todos os dias, pois ninguém é de ferro e nenhuma história boa começa com “eu estava comendo um brigadeiro fit e tomando whey…”.

 




Nas categorias: mini contos

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postado por Cinthya Rachel às 21:43
26
jul

 

Cansei do frio. Sim, vim reclamar do frio. Me deixem. Não, não me deixem, faz frio. E chove. Desde ontem. Tomei friagem como diria minha vó. Aí emendei uma sinusite num resfriado numa rinite alérgica e não paro de espirrar, tossir e assoar o nariz.

É chato quem reclama do tempo, né? Mas tá frio, fazer o que. Tá frio desde abril. Vocês acham isso certo? Começou assim com 20 graus. 18. Depois 15. Um susto com 4 graus. E nunca mais nada acima de 15. Ainda faltam 2 meses pro fim do inverno.

Achei um xarope vencido de 2014. Tomei. De guaco. Achei muito coisa de vó. Acho que era do marido. Vai me fazer mal? Tem tanto açúcar no xarope que eu duvido que tenha estragado. O gosto tá bom. Gosto de gripe de infância. Certeza que agora melhoro.

Duas semanas com voz fanha, sem respirar direito. E a temperatura não sobe. Nem nos dias em que a previsão é otimista e diz que a máxima é 17. NUNCA chega até a máxima. À mínima sim. Essa sempre chega. Foi legal quando na tv anunciaram 96 horas de chuva. Nessa previsão acertaram. Foi perfeita. 96 horas. De chuva. Com frio.

Cansei do frio.




Nas categorias: Buenos Aires mini contos

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postado por Cinthya Rachel às 16:08
24
jun

As redes sociais são um pequeno recorte da nossa vida. Um prato bonito que a gente comeu, uma viagem legal, uma foto na academia, aquela frase motivacional, uma gracinha do filho, declarações, xingamentos. É tudo surreal. É uma pequena parte do que a gente vive, e se a gente para pra olhar a vida dos outros dá pra ficar deprimido fácil. Parece que todo mundo tem o melhor namorado do mundo, o melhor trabalho #ilovemyjob, faz as viagens mais incríveis e tem as maquiagens mais caras.

Claro, também tem a parte do #foradilma #foratemer tudo é horrível, tudo é mimimi, me vejam aqui no hospital, ai estou cansada, demorei 5639 horas pra chegar no trabalho. Mas também é um recorte, só que esse feito com navalha: minha vida é uma sofrência.

E dentro desses recortes todos vem uma cobertura de mentira. CANSEI de ver gente postando: amo a minha mãe, a melhor mãe do mundo, ela é incrível, sou o que sou por causa dela, e na verdade essa pessoa tem sérios problemas com a mãe, de ter um relacionamento abusivo com a mesma. Mas mesmo assim se sente impelida (obrigada?) a fazer a lambeção do eterno amor incondicional para todos verem.

Por que?

É a esse recorte que eu vou. Qual a necessidade de fingir algo que não é? Se você e sua mãe não se dão bem, beleza, não precisa ficar postando o contrário. Se seu marido faz coisas babacas e você está chateada com ele, pra que postar que ele é perfeito 100% do tempo?

Eu acho que a gente vê tanta lindeza nas redes dos outros, tanta grama tão verdinha, que PRECISA fazer parte disso, dessa onda, pra ser parte do grupinho. Meio 15 anos, quando a gente estava na escola e usava o mesmo tênis, o mesmo batom e  escutava a mesma música. Acho que a gente não percebeu que cresceu e que a vida é mais legal se vier inteira e não em mini fotinhos coloridas com um filtro bonito.





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