Olha o que já passou por aqui!

postado por Cinthya Rachel às 15:56
10
mar

-Um amigo postou que começou a perder o cabelo por causa do tratamento contra o câncer e as pessoas comentaram: é só cabelo, cabelo cresce. É difícil entender que a pessoa também pode ficar triste com perder o cabelo mesmo que isso signifique que ela está sendo curada?

-Uma amiga postou que o filho não estava dormindo à noite. As pessoas comentaram: nossa, mas meu filho dorme sozinho, no escuro, no quarto dele desde que ele chegou em casa com 2 dias de vida. Ah, mas o meu filho já saiu da barriga dormindo e mama exatamente de 3 em 3 horas e não chora nunca. Cara, não é isso que a mãe precisa ouvir nesse momento.

-Um amigo postou aquela charada do pai que morre em um acidente de carro e o filho se machuca, etc, etc, etc, e as pessoas que descobriram a resposta de cara fizeram comentários como: noooooossa, como vocês não sabiam a respostaaaaaaaaa, era muuuuuito óbviaaaaaaa. Ok, floquinho de neve, você deve ter sido criado com leite de pêra orgânica com chia para ser tão especial.

-Uma amiga postou que estava vendendo os livros já lidos dela bem baratinho, e as pessoas comentaram: ai, por que não doa? Tem tanta gente precisando! Mas vocês sabem se ela já doou outros? Sabem se ela tá precisando do dinheiro?

Aí eu fico com preguiça, fecho o facebook, posto cada vez menos e fico na minha bolhinha de amor com amigos, marido, plantinhas e comidinhas.#nãosejaessapessoa





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postado por Cinthya Rachel às 17:56
20
fev

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Eu tenho uns assuntos aí pra falar pra vocês. Vontade de escrever post, de fazer uns vídeos. De falar como andam as coisas por aqui, de como a vida tem sido leve e de como tem feito calor. De dizer que finalmente li a Hora da Estrela da Clarice, que tô lendo o meu primeiro livro gigante em espanhol, que temos nos divertido fazendo potes de conserva, que depois de mais de um ano coloquei um saltinho pra sair,  zeramos duas séries e ainda não escolhemos outra pra vermos juntos, que tô fazendo um curso de massagem e que meu cabelo cresceu um pouco… Aí confesso que me dá uma preguiça, vejo que tudo vira discussão, hashtag #minhaopinião, grosseria disfarçada de conselho, e aí eu quero correr para as montanhas. Mas não corro, pois se correr “eles” ganham e a gente não pode deixar isso acontecer.





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postado por Cinthya Rachel às 19:41
05
dez

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Tenho um pouco de invejinha de quem tem paixões, sei lá, a pessoa descobre um amor doido pela flauta doce, faz curso, estuda, participa da imersão de flauta doce na serra do Capivari, tira fotos com sua coleção de flautas, dá nome pras flautas, vai em show dos mestres da flauta, fica amiga dos mestres da flauta, transforma o seu insta em uma ode às flautas doces (bem melhor que as outras flautas existentes no mundo), se especializa em flautas, casa com um tocador de flauta, e vai ser feliz.

Não sei se tenho essa paixão. Sim, tenho minhas obsessões esporádicas, sou meio a maníaca da culinária, por exemplo, e até tenho algumas fotos disso no insta. Mas não consigo me entregar assim. Sempre aparece uma ou outra paixão bandida pra puxar meu pé a noite enquanto eu durmo, como um fantasma.

Jardinagem é tão interessante. Ginecologia natural também. Um curso de meditação não ia ser ruim. Já que estamos, que tal começar yoga? Vi uma oficina de panificação que acho que vai ser legal. Sempre quis fazer pintura em cerâmica. E aula de bioenergética é incrível, saio super relaxada. Comida vegetariana. Churrasco também, claro.

E sigo assim, uma paixãozinha aqui, um lance, outra paixãozona lá, um amorzinho, um flerte, um romance, uma ficada, selinho, beijo de língua…

 




Nas categorias: eu e mim mesma mini contos

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postado por Cinthya Rachel às 12:25
17
nov

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Impossível as meninas do pilates gostarem de mim. Certeza que me achavam antipática. Eu chegava, falava oi, deitava na minha caminha, e seguia calada até o fim da aula, de onde saía com um aceno discreto de cabeça no lugar do tchau e dos mil beijos que os argentinos gostam de distribuir.

É que é muito difícil ser simpática e engraçada em uma língua que não é a sua, ainda mais no meio de uma aula em que você tem ficar muito atenta, por que imagina se troco la rodilla (joelho) por el codo (cotovelo)?

A professora devia me achar uma aluna exemplar e muito séria, mas na verdade aquela minha cara de concentração era pra tentar adivinhar o que significava o que ela falava. Eram partes do corpo e posições que em espanhol faziam tudo parecer muito complexo.

Eu ouvia o que a professora dizia, tentava identificar a parte do corpo, olhava paras as amiguinhas e copiava. Tobillo (tornozelo), pecho (peitinhooooo), pies, piernas, manos, cuello (pescoço). Até que um dia tinha que cerrar los ojos (fechar os olhos) e levar el mentón hacia (até) el pecho. Jesus, o que é mentón, o que eu que tenho que levar até meu peito, que parte do corpo é essa que nunca ouvi ninguém falar, e agora, que parte é, vou abrir o olho disfarçadamente e… Era o queixo!

Quando a professora fazia alguma piada com as alunas era o pior momento, porque é nessa hora que as pessoas se aproximam e fazem amizade, mas você já viu dois argentinos conversando? Deveriam estar no Guinness pela fala mais rápida do mundo. Eu pescava uma ou outra palavra, mas pra ser sincera eu entendia basicamente 0,32% da conversa, todas riam, menos eu. A antipática do pilates.





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